A equipe da Politec de Sorriso está em Sinop, esta manhã, para exumação do corpo do detento Walmir Paulo Brackmann, no cemitério. No procedimento, são coletadas amostras do cadáver para que sejam submetidas a análises periciais que possam identificar qual substância causou o óbito. Ele faleceu, no ano passado, na Penitenciária Ferrugem, supostamente depois de inalar um spray de pimenta. A decisão da exumação é do desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça, como parte de uma apuração de denúncias de violência e possíveis práticas de tortura na unidade prisional.
A perícia deve apontar se houve “sinais de asfixia química ou mecânica; presença de resíduos de agentes irritantes nas vias aéreas, olhos e mucosas; e lesões externas e internas compatíveis com tortura ou maus-tratos” para esclarecer a real causa da morte de Walmir, ocorrida em maio do ano passado. Participam do procedimento peritos criminais, técnicos de necropsia e médico legista.
Segundo as informações encaminhadas ao tribunal, três reeducandos teriam identificado um policial penal como possível responsável por jogar spray de pimenta em Walmir. “As pessoas expostas ao spray de pimenta devem ter acesso imediato a um médico e receber um antídoto. O spray de pimenta, assim se recomendou, nunca deve ser usado contra um prisioneiro que já esteja sob controle”, observou o desembargador. O registro em certidão de óbito de Walmir aponta “causa indeterminada” de falecimento. Assim, entre os objetivos da ordem do juiz está identificar “elementos que possam elucidar o nexo causal entre a ação dos agentes investigados e o óbito”.
A decisão é mais um desdobramento das investigações que começaram em dezembro do ano passado, quando a corregedoria da secretaria estadual de Justiça e Direitos Humanos apresentou ao Judiciário os resultados de diligências realizadas no Ferrugem. Ao todo, 46 reeducandos foram ouvidos. De acordo com os autos, a apuração priorizou presos que já possuíam laudos de exame de corpo de delito emitidos pela Politec, “comprovando lesões corporais recentes”.
Durante os procedimentos, foram realizados reconhecimentos fotográficos de policiais penais apontados como supostos agressores. A corregedoria informou que as vítimas descreveram previamente os envolvidos e que as imagens foram apresentadas ao lado de fotografias de outras pessoas com características físicas semelhantes.
DA REDAÇÃO/ DIGITAL NEWS MT



