A implantação de uma clínica de hemodiálise em Nova Mutum voltou ao centro do debate público após o posicionamento do prefeito Leandro Félix, que declarou que a prefeitura não irá garantir o custeio integral da unidade. A postura tem gerado críticas de moradores, familiares de pacientes e lideranças políticas que defendem a instalação do serviço na cidade.
A demanda não é nova. Há anos pacientes renais e suas famílias pedem a implantação do tratamento no município. Hoje, quem depende de hemodiálise precisa viajar regularmente para outras cidades da região para conseguir atendimento, o que significa horas na estrada várias vezes por semana em uma rotina desgastante para pessoas que já enfrentam uma condição de saúde grave.
Mesmo diante dessa realidade, o prefeito afirmou que não pretende assumir compromisso financeiro amplo para viabilizar a clínica, justificando que o município possui apenas cerca de 15 a 20 pacientes em tratamento, número considerado baixo para manter economicamente uma unidade desse tipo.
A fala, no entanto, provocou reação. Para críticos da postura da prefeitura, o argumento da quantidade de pacientes ignora um ponto central: a clínica não atenderia apenas moradores de Nova Mutum, mas também pacientes de toda a região médio-norte de Mato Grosso, o que poderia aumentar significativamente a demanda.
Além disso, a própria discussão sobre a clínica tem envolvido reuniões políticas e audiências públicas para buscar apoio regional e estadual. Em um desses encontros para tratar da implantação do serviço, a ausência do prefeito foi apontada como um dos fatos mais comentados entre participantes do debate.
Para famílias de pacientes, a questão vai além de números ou cálculos administrativos. A hemodiálise é um tratamento contínuo e essencial para pessoas com insuficiência renal. Sem ele, o paciente simplesmente não sobrevive. Por isso, cada viagem para outra cidade representa desgaste físico, emocional e risco para quem já enfrenta uma condição clínica delicada.
Outro ponto levantado por críticos é que a instalação da clínica poderia reduzir custos indiretos do próprio sistema público, já que diminuiria despesas com transporte constante de pacientes e ampliaria a estrutura de saúde local. Ainda assim, até agora não houve compromisso claro da prefeitura para liderar a viabilização do projeto.
O resultado é que, enquanto o debate político se arrasta, pacientes continuam dependendo de deslocamentos para receber um tratamento vital. E a pergunta que permanece entre moradores é direta: se a cidade cresce economicamente e amplia investimentos em diversas áreas, por que um serviço essencial de saúde ainda não conseguiu sair do papel.
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